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As Minas dos mouros andam ligadas em interessantes crenças e pequenas lendas que a tradição vai conservando e repetindo.
Assim, durante muitos anos, acreditou-se que nestas minas ficara uma linda moura encantada que vinha frequentemente sentar-se á boca da galeria, onde costumava alindar-se quando não chovia.
Os rapazes da freguesia de cebola juntavam-se em grupos numerosos e desciam até ás minas, só para verem a moura encantada, mas nunca o conseguiram, porque, reza ainda a tradição, apenas se aproximavam, ela corria depressa para o interior mais fundo da mina.
Muitos tentaram muitas vezes penetrar em toda a galeria, seguindo um novelo de fio muito comprido, mas, chegando ás encruzilhadas das minas, voltaram depressa, porque, dizia-se, depois de passada a ribeira (uma das minas atravessava o leito da ribeira) há um grande poço que ninguém pode transpor, quem tentar faze-lo encontra-se junto de uma grande roda de navalhas bem aguçadas e num tal labirinto de salas que desaparecia imediatamente, e para sempre.
È tal a crença no grande comprimento das minas dos mouros, que há quem afirme que antigamente, foi metido um cão numa delas em Cebola e foi sair na freguesia de Dornelas, terra que fica a alguns km de todas essas minas!
Igualmente se acreditou sempre que no fundo destas minas há tesoiros grandes escondidos. Já vem de tempos recuados a cantiga seguinte:
Entre o fale de ermida
Há grandes riquezas metidas
Sé fosse bem explorado
Encontrava-se um monte de dinheiro
Tão grande como o Cabeço do Carvalheiro
Houve quem sonhasse com este tesouro e, na firme esperança de o encontrar, correu ao ditoso vale, trabalhou imenso, rompeu a rocha e gastou ainda muito dinheiro em busca daquilo que nunca encontrou.
Hoje, depois de tanta exploração de minério, a lenda vai-se esquecendo e só os velhos a recordam como lembrança amiga do passado.
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