Couto Mineiro
Outras Localidades
Mineiros da Póvoa da Raposeira | Mineiros da Póvoa da Raposeira |
|
|
|
| Escrito por Suporte | |
| 05-Set-2008 | |
|
Texto retirado da página serras online da rúbrica Minas da Panasqueira em Regresso ao Passado
"Ó rapaz arriba arriba se não podes correr anda, ainda hoje vais atravessar a serra para a outra banda". A serra para a outra banda, consistia naquele tempo, em subirem a encosta sobranceira à Póvoa da Raposeira, chegarem até ao cume da montanha e por entre carreiros e veredas, com a sacola dos mantimentos aos ombros, descerem depois a caminho das Minas da Panasqueira. Todos nós nos lembramos ainda, de ouvir-mos cantar aquela cantiguinha, a qual passou ao longo dos anos de geração em geração, daqueles que enterrados vivos nas Minas da Panasqueira, quantas vezes com o sacrifício das próprias vidas, calcorrearam os caminhos daqueles montes, à procura do sustento para as suas famílias. Eu e outros da minha idade fomos uns felizardos!... Bem cedo os nossos Pais dali saíram, depois de experimentarem a agrura daquele trabalho, procurando noutras paragens o melhor para os seus filhos. Não foi por acaso, que nos jornais regionais daquela época o lápis azul cortou tantas e tantas notícias, sobre aquela vida dura mas também as mortes prematuras, muito especialmente, quando se tratava de mortes por acidentes no interior da mina ou devidas à silicose. Aquelas minas foram apesar de tudo, fonte de rendimento para muitos serranos, porquanto na altura era apenas a única fonte empregadora da nossa região. Dali saiu e continua a sair tanta riqueza para o País, mas vão-se esquecendo os poderes públicos do desenvolvimento da região. Enquanto é tempo, é exactamente o testemunho de dois desses “jovens”, agora com mais de sessenta anos, à altura mineiros de profissão, que iremos dar à estampa o que foram aqueles tempos das suas vidas, quer no interior quer no exterior da mina. Tantas vezes já lhe ouvimos contar as estórias das suas vidas, num misto de tristeza e de alegria, mas também de algum entusiasmo, que quase sabemos de cor o que foram as suas aventuras e desventuras, mas é sempre gratificante ouvi-los em cada vez que isso nos é possível. Assim, proximamente se nos derem guarida, iremos trazer à estampa os depoimentos do Virgílio Martins e do Joaquim Martins (Valente), ambos mineiros, nascidos e criados naquele sempre acolhedor lugarejo, chamado Póvoa da Raposeira. Seja o primeiro a comentar este artigo no nosso Fórum |
| < Artigo anterior |
|---|








